O trânsito das metrópoles: uma das grandes oportunidades da década (ou do século)

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Para quem vive em grandes metrópoles isso já é rotina. Sair do escritório, casa ou escola nos horários de pico costuma ser um martírio, uma tortura: será preciso encarar filas quilométricas de automóveis querendo ir para o mesmo lugar que você, e gastar uma ou duas horas para fazer 10, ou talvez 5 quilômetros.

O resultado é uma população extremamente cansada e infeliz, e prejuízos econômicos próximos a 3,3 bilhões de reais (só na cidade de São Paulo). Pra se ter uma ideia do estrago, estima-se que sejam desperdiçados por ano cerca de 200 milhões de litros de gasolina e álcool e mais de 4 milhões de litros de óleo diesel. Outro recurso desperdiçado é o tempo, que chega a quase 240 mil horas anuais.

Só com esses poucos dados é fácil notar o tamanho do problema. E é diante de grandes problemas como esse que se extraem grandes oportunidades. Imagine que você encontre uma forma de resolver esse caos de forma inteligente e eficiente. Imagine quanta gente ficaria feliz, e quanto dinheiro deixaria de ir para o ralo, dinheiro do qual você teria uma fatia razoável por ter elaborado tal solução. O problema é real, e a solução seria uma aspirina para a dor de todos aqueles que sofrem com esse mal (é uma solução do tipo must have).

Existem muitos caminhos para resolver esse problema. Eis alguns deles:

Melhorar o uso dos veículos existentes

Hoje a maior parte dos veículos que trafegam pelas ruas e avenidas das cidades transporte uma, quando muito duas pessoas. Isso é um desperdício de recursos imenso, visto que é possível que cinco pessoas sejam transportadas sem muitos problemas.

A solução pode ser, partindo desse princípio, incentivar as caronas entre pessoas da mesma empresa, escola ou outra instituição, ou mesmo entre as várias instituições existentes. Seria uma espécie de rede social que permite encontrar alguém disposto a dar (ou precisando de) carona em uma determinada rota.

Diminuir o uso dos veículos existentes em favor de soluções mais eficientes

Uma bicicleta não polui muito pouco, e é efetiva para curtos deslocamentos levando uma única pessoa. Seu custo de manutenção é baixo e sua agilidade é grande. Numa faixa da rua ocupada por um carro deve ser possível passar ao menos três bicicletas. A solução pode então vir de prover acesso a essas bicicletas (alugando?), oferecer a infraestrutura para circulação das mesmas, oferecer serviços de segurança e seguro para elas, etc.

Outra opção, mais cara tecnologicamente, é projetar e desenvolver veículos automotores otimizados para uma ou duas pessoas, que ofereça o conforto aproximado do carro mas permita economia de combustível e ocupe menos espaço na via (apenas 1 m² em vez dos mais de 6 m² de um popular atual, por exemplo), o que permite que a densidade seja maior e as filas menores.

Diminuir o uso dos veículos atuais em favor do uso de transporte de massa

Quando me refiro ao transporte de massa, não falo apenas do público. O transporte público é bizarro na maioria das grandes cidades, o que não favorece nem um pouco a sua adoção. Transportes de massa são mais eficientes em relação ao espaço ocupado na via, quando em sua lotação ideal. Também podem ser confortáveis e relaxantes, visto que não é preciso guia-los, o que deixa a pessoa livre para outras atividades (ler um livro, responder emails, fazer conferências por telefone, etc).

Mecanismo de transporte de massa mais eficientes e com qualidade podem ser uma saída interessante, e precisam ser estimulados. Uma van comum tem aproximadamente 10 m² de área e leva com certo conforto 16 passageiros. Isso significa 15 veículos a menos nas ruas, ou cerca de 100 m² de área ocupada. Já dá pra perceber o que isso significa. Com auxilio de certas ferramentas de software, é possível traçar um caminho ótimo a ser percorrido para que uma van faça a captura dos funcionários em uma dada região da cidade e os leve com conforto para outra região.

Nesse cenário, as oportunidades estão disponíveis para prestadores de serviços de transporte, manutenção de veículos, desenvolvedores de software para otimização das rotas, etc.

Últimas Considerações

Já não há espaço para todos nas vias da maneira como as conhecemos. Não há como alargar as avenidas porque elas já representam uma boa fatia da área urbana.

Temos também o grande paradigma (a ser quebrado) na população brasileira que é ter o carro como sinônimo de status. Todo mundo quer ter seu carro, e andar sozinho nele. Pedir carona é coisa feia, e andar de transporte coletivo é o fim do mundo. Ir caminhando ou pedalando então, é quase atestado de fracasso.

É uma jornada difícil, longa, demorada, mas que merece ser trilhada (por quem gosta da área), e cujos resultados (econômicos e culturais) talvez não sejam vividos nessa geração, mas serão lembrados para sempre. É uma das maiores oportunidades da nossa época.

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Uma ideia sobre “O trânsito das metrópoles: uma das grandes oportunidades da década (ou do século)

  1. Realmente, é muito complicado essa situação, apresenta um dos maiores problemas mundiais. Varios processos poderiam ser colocados em pratica para melhorar essa situação, como voce disse muito bem. O maior problema é o ser humano mesmo, ele quer o seu carro, é sininimo de status, e esse para mim é a maior dificuldade a ser superada.

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